terça-feira, 18 de maio de 2010

Importância dos Sistemas de Custeio nas Empresas

A Contabilidade de Custos se originou da Contabilidade Financeira, tendo como finalidade a avaliação de estoques na indústria. Segundo Martins (2001), seus princípiosderivam desse propósito e, por este motivo, nem sempre conseguem atender com completeza suas outras duas mais recentes atribuições: controle dos custos e suporte na tomada de decisão. Esses novos campos deram horizontes mais amplos à Contabilidade de Custos.

Desse modo, nas empresas em que as informações de custos são usadas para desenvolver estratégias que visam a obtenção de vantagem competitiva e um melhor gerenciamento dos custos, exige-se um enfoque externo e interno à empresa. Esses são efeitos da globalização, que acontecem, conforme Porter (1989, p.75):

porque mudanças na tecnologia, necessidades do comprador, políticas
governamentais ou infra-estrutura do país criam diferenças importantes
na posição competitiva entre empresas de diferentes países ou tornam
mais significativas as vantagens de uma estratégia global.

Uma compreensão da estrutura de custos de uma empresa pode avançar na busca de vantagens competitivas. Koliver (1994, p.55) explicita que:

a análise de custos oferece um bom campo para reflexões, pois ela já
existe há muito tempo e sempre teve por escopo final a redução dos
custos das operações, porquanto seu nascimento está ligado à
consciência da importância do fator custo na equação do resultado da
entidade e, em última instância, a sobrevivência desta num mercado
cada vez mais concorrido.

No atual contexto empresarial, são necessárias informações de custos cada vez mais detalhadas e aprimoradas. Assim sendo, as empresas estão se dedicando à melhoria de alguns aspectos críticos, tais como: melhor desempenho de produtos e processos, maior atenção às exigências do mercado, melhor gestão estratégica e operacional de suas áreas de responsabilidade, entre outros.

Lopes de Sá (1992, p.20) afirma que “o custo está inserido em uma importante
função patrimonial e que é a da resultabilidade, e, como tal, precisa ser encarado,
objetivando-se seu caráter amplo e realístico”. Entende que o essencial é ensejar a visão
holística e concretizada do que se passa com a riqueza, quando esta tem por objetivo a
obtenção de lucro compatível com as amplas necessidades ambientais endógenas e
exógenas de uma célula social.

Em organizações onde as informações de custos são usadas para desenvolver estratégias que visam a obtenção de vantagem competitiva, gerenciar custos com eficácia exige um enfoque acerca de sua estrutura física e operacional. No entanto, talvez uma exigência maior por parte da Contabilidade de Custos, com ênfase no campo estratégico, tenha se iniciado com a crescente complexidade das indústrias e seu ambiente organizacional.

A análise das informações de custos é relevante para o processo decisório nas organizações, tanto no momento da definição do preço de venda, como na gestão dos custos e em decisões que têm como resultado o incentivo aos produtos mais rentáveis.

Num ambiente cada vez mais competitivo, as organizações são obrigadas a evoluir e apreender constantemente, além de se empenhar na busca de melhores informações para o gerenciamento de seus custos.

De acordo com Santos (1987), para que a administração alcance a maximização dos resultados, através da análise de custos como instrumento de avaliação de desempenho e de tomada de decisão, os seguintes objetivos básicos deverão ser levados em consideração: custo por produto, resultado de vendas por produto, custo fixo da infra-estrutura instalada, nível mínimo de vendas desejado, formação do preço de venda, planejamento e controle das operações.

Percebe-se que as empresas que estão preocupadas com a competitividade global já não dispensam mais a Contabilidade de Custos em seu processo decisório.

Utilizam as informações por ela geradas em todas as etapas, no planejamento, na execução e no controle das atividades da empresa.

Entre os objetivos da Contabilidade de Custos, Matz, Curry e Frank (1987) destacam que, visto que trabalha com custos, orçamentos e análise de custos, a Contabilidade de Custos pode ser descrita como elemento principal, nas atividades de controle e nas fases de planejamento e de decisões, da empresa. A Contabilidade de Custos fornece à administração registro detalhado, análise e interpretação dos gastos efetuados em conexão com a operação da empresa.

Dado a importância das informações de custos no meio empresarial, deve-se buscar o aprimoramento da Contabilidade que analisa e gerencia este tipo de informação.

A relevância dessas informações pode ser percebida em diferentes momentos, seja através da redução do enxugamento da estrutura de custos, expansão da capacidade fabril, lançamento de novos produtos ou formação do preço de venda.

Para a realização dessas análises, a empresa requer a utilização de sistemas de custeio. No que concerne aos sistemas de custeio, esses referem-se à forma de apropriação dos custos de uma determinada empresa aos seus produtos. Perez Jr., Oliveira e Costa (1999, p.30) mencionam que “o objetivo principal de qualquer sistema de custeio é determinar o custo incorrido no processo de produção de bens ou de prestação de serviços”.
Nesta perspectiva, Beuren (1993, p.61) destaca que:

a operacionalização adequada de um sistema de custeio pode encontrar
ampla aplicação nas empresas. Ressalta-se que a utilização efetiva de
um sistema de custeio não se limita apenas à sua importância na
avaliação de estoques. Ele também é um instrumento de suporte
voltado ao fornecimento de subsídios importantes à avaliação de
desempenho dos gestores, taxa de retorno nas decisões de
investimentos, decisões do tipo comprar X fabricar, formação de preço
de venda etc.


Portanto, a partir das informações de custos os gestores poderão tomar decisões necessárias na organização. Cabe ressaltar, todavia, que estas informações deverão ser diferenciadas, dependendo das características particulares de cada empresa. Em razão disso, vários sistemas de custeio foram desenvolvidos e criados no decorrer do tempo.
Neste sentido, Luz e De Rocchi (1998, p.21) citam que:

o conhecimento e a correta interpretação dos custos operacionais são
condições essenciais para o funcionamento racional de qualquer
entidade contábil, seja ela uma empresa que vise à formação de lucros,
ou uma instituição de fins ideais. Contudo, uma correta seleção dos
sistemas e critérios que deverão ser utilizados para a determinação e
análise dos custos se reveste, desde logo, de transcedental importância
para uma correta orientação dos processos gestivos.


Desse modo, os gestores deverão analisar as características específicas de cada sistema de custeio a fim de verificar aquele que mais coaduna com a estrutura física e operacional da empresa. Além disso, devem considerar aquele que mais pode contribuir na análise dos custos e dar suporte na busca de vantagens competitivas para a empresa.
Diversos são os sistemas de custeio que podem ser utilizados pelas empresas.

SISTEMAS DE CUSTEIO

As empresas podem apropriar os custos aos produtos por meio da escolha entre diversos sistemas abordados na literatura. Destacam-se entre eles: o custeio por absorção, o custeio direto ou variável, o custeio pleno ou integral, o custeio padrão, a unidade de esforço de produção, o custeio baseado em atividades.

a) Custeio por absorção

O sistema de custeio por absorção, além de ser um dos mais antigos sistemas, é o único aceito para fins fiscais. Segundo Martins (2001, p.41-42), este sistema “consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados, e só os de produção; todos os gatos relativos ao esforço de fabricação são distribuídos para todos os produtos feitos”.

Padoveze (2000) ressalta que, em uma análise histórica, percebe-se que este sistema de custeio veio a ser utilizado mais em razão dos critérios de inventários do que das necessidades gerencias das empresas.

Neste sentido, infere-se que o sistema de custeio por absorção não está preocupado em fazer distinção entre custo fixos e variáveis. Sua premissa fundamental é separar custos e despesas. Sendo que os custos são apropriados aos produtos, para, no momento da venda, serem confrontados com as receitas geradas, e as despesas são lançadas diretamente no resultado do período.

b) Custeio direto ou variável


Martins (2001, p.216) define o custeio direto ou variável como aquele em que “só são alocados aos produtos os custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo diretamente para o resultado, para os estoques só vão, como conseqüência, custos variáveis”.

Diferentemente do custeio por absorção, o custeio variável parte do pressuposto de que os custos fixos são difíceis de serem alocados aos produtos e, portanto, devem ir diretamente para o resultado.

Horngren, Foster e Datar (2000) mencionam que o custeio direto ou variável é um sistema no qual todos os custos variáveis são considerados custos inventariáveis. Assim, os custos fixos são excluídos dos custos inventariáveis, sendo custos do período em que ocorreram.

Portanto, este sistema só considera como custo do produto os custos variáveis utilizados no processo produtivo, sendo assim, os custos fixos são considerados como se fossem despesas do período, pois estes custos independem do volume de produção.

c) Custeio pleno ou integral

Santos (1999, p.66) descreve que o sistema de custeio pleno ou integral “caracteriza-se pela apropriação de todos os custos e despesas aos produtos fabricados.

Esses custos e despesas são custos diretos e indiretos, fixos e variáveis, decomercialização, de distribuição, de administração em geral etc”.

Este sistema foi desenvolvido na Alemanha no início do século XX, pelo instituto alemão de pesquisas aziendais, onde foi denominado Reichskuratorium fur Wirtschaftlichtkeit. No Brasil é mais conhecido pela sigla RKW, no qual são alocados todos os custos e despesas fixas e vaiáveis e custos diretos e indiretos aos produtos fabricados.

O produto do sistema de custeio pleno é o custo pleno, que corresponde, conforme Vartanian e Nascimento (1999), a um número agregado médio obtido para as unidades do objeto de custeio em questão, que inclui parcela dos materiais diretos, mãode-obra direta, custos indiretos de fabricação, despesas com vendas, distribuição, administrativas, gerais e até financeiras.

O custeio pleno ou integral é basicamente utilizado para fins de controle dos custos e análise gerencial. Sua importância está em auxiliar o gestor no controle e planejamento do total dos custos e despesas, bem como facilita a minimização dos gastos totais de uma empresa num determinado período.

d) Custeio padrão

Segundo Trevisan & Associados (1992), o objetivo principal da utilização do sistema de custeio padrão é o controle dos custos, ou seja, com base nas metas fixadas para condições normais de trabalho é possível: apurar os desvios do realizado em relação ao previsto; identificar as causas dos desvios; adotar as medidas corretivas para não-reincidência de erros ou para melhoria do desempenho.

No tocante ao custo padrão, conforme Matz, Curry e Frank (1987, p.532), “é o custo cientificamente predeterminado para a produção de uma única unidade, ou um número de unidades do produto durante um período específico no futuro imediato”.
Entendem que o custo padrão é o custo planejado de um produto, segundo condições de operação correntes e/ou previstas. Baseia-se nas condições normais ou ideais de
eficiência e volume, especialmente com respeito à despesa indireta de produção.

Leone (2000, p.286) ressalta que “o sistema de custo-padrão não tem utilidade se for implantado solidariamente. Ele só fornece informações precisas se estiver acoplado a outro sistema de custeamento com base em custos reais”.

Sendo assim, observa-se que este sistema precisa ser implantado juntamente com outro sistema de custeio, que fornece os custos reais. Assim, concomitantemente, pode-se fazer uma comparação entre os custos predeterminados (custo-padrão) e os custos incorridos.

e) Unidade de Esforço de Produção – UEP

Bornia (1995, p. 481) diz que “o sistema da unidade de esforço de produção baseia-se na unificação da produção de empresas multiprodutoras mediante definição de uma unidade de medida comum a todos os artigos da empresa”.

De acordo com Beuren e Oliveira (1996), esta metodologia está relacionada apenas aos custos de transformação da matéria-prima em produtos acabados, o custo da matéria-prima também não é incluído no processo. Assim, o sistema da unidade de esforço de produção apresenta restrições no custeamento total dos produtos, visto que ele não se aplica à mensuração das operações que não guardam relação direta com o processo produtivo.

O sistema da unidade de esforço de produção procura mensurar o custo de produção de diferentes produtos da empresa por meio de uma única unidade de medida, a UEP.

f) Custeio Baseado em Atividades – ABC


Kaplan e Cooper (1998, p.94) definem o custeio baseado em atividades (Activity Based Costing – ABC) como:

um mapa econômico das despesas e da lucratividade da organização
baseado nas atividades organizacionais. Um sistema de custeio
baseado em atividades oferece às empresas um mapa econômico de
suas operações, revelando o custo existente e projetado de atividades e
processos de negócios que, em contrapartida, esclarece o custo e a
lucratividade de cada produto, serviço, cliente e unidade operacional.

Padoveze (2000) destaca que o custeio baseado em atividades atribui primeiro os custos para as atividades, e depois aos produtos, baseado no uso das atividades, e depois das atividades de cada produto. O custeio baseado em atividades é fundamental no conceito: produtos consomem atividades, atividades consomem recursos.

O sistema de custeio baseado em atividades, segundo Martins (2001), opera com três formas de alocação dos custos: alocação direta, faz-se quando existe uma identificação clara, direta e objetiva de certos itens de custos com certas atividades; rastreamento, feito com base na identificação da relação entre a atividade e a geração dos custos; e rateio, realizado apenas quando não há a possibilidade de utilizar nem a alocação direta nem o rastreamento.

Para o rastreamento dos custos o sistema utiliza os direcionadores de custos ou cost drivers, que é a causa que determina a ocorrência de uma atividade, ele é a verdadeira causa básica dos custos. Nakagawa (1994, p.74) define cost driver como:

uma transação que determina a quantidade de trabalho (não a duração)
e, através dela, o custo de uma atividade. Definido de outra maneira,
cost driver é um evento ou fator causal que influencia o nível e o
desempenho de atividades e o consumo resultante de recursos.

Este sistema não substitui o sistema tradicional para fins de avaliação de estoques. Portanto, o custeio baseado em atividades é utilizado para fins gerenciais, como suporte ao processo de tomada de decisões.

Desse modo, identificou-se alguns dos sistemas de custeio abordados na
literatura e que são passíveis de utilização pelas empresas. Todavia, é importante
identificar sua utilização nas empresas por meio de pesquisa empírica. Considerando-se
que este é o foco do artigo, apresenta-se a metodologia da pesquisa aplicada para a
execução do estudo.


Referências

http://www.intercostos.org/documentos/110.pdf

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